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1 de Janeiro, 2025

Erros comuns no planejamento tributário

Planejamento tributário

Introdução

Muitos empresários acreditam que Planejamento Tributário é algo para se fazer apenas em janeiro, escolher o regime e "tocar o barco". Se você pensa assim, cuidado: sua empresa pode estar pagando impostos indevidos ou, pior, criando uma dívida silenciosa com o Fisco.

Com a chegada da Reforma Tributária e o início da fase de transição em 2026, a complexidade aumentou. Não basta mais olhar para o passado; é preciso projetar o futuro com duas calculadoras na mão: a do sistema antigo e a do novo.

A seguir, listamos os erros mais comuns e como a nova legislação impacta o seu bolso agora.

1. A "Zona de Conforto" do Simples Nacional

O erro clássico: achar que o Simples Nacional é sempre a melhor opção. Com a Reforma Tributária, essa verdade foi abalada.

O Cenário Atual: Muitas empresas B2B (que vendem para outras empresas) no Simples Nacional podem perder competitividade.

O Motivo: No novo sistema (IBS/CBS), quem compra quer "crédito" de imposto. Se sua empresa está no Simples, ela transfere menos crédito para o seu cliente do que uma empresa no Lucro Real.

A Armadilha: Seu cliente pode preferir comprar do concorrente (que é mais caro), mas que gera um crédito tributário maior para ele abater.

Solução: É vital simular se vale a pena continuar no Simples ou migrar para o Lucro Real para não perder mercado.

2. Ignorar o "Ano de Teste" (2026)

Em 2026, começamos a pagar os novos impostos (IBS e CBS) com alíquotas de teste (0,1% e 0,9%). Parece pouco, certo? Errado.

O erro aqui não é financeiro, é operacional. Muitas empresas não estão atualizando seus softwares (ERPs) para emitir notas com esses novos campos. Se o seu sistema não estiver pronto para destacar esses impostos minúsculos na nota fiscal, sua operação pode travar completamente.

O Fisco usará 2026 para calibrar o sistema; se você errar agora, entrará no radar da fiscalização antes mesmo do sistema entrar em vigor de verdade.

3. Cadastro de Produtos (NCM) Desatualizado

Este é um erro "invisível" que custa milhões. O NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) é o código que diz ao governo o que é o seu produto.

O Erro: Cadastrar um produto com um código genérico para "facilitar".

O Risco na Reforma: A Reforma trará o "Cashback" e alíquotas reduzidas para itens essenciais. Se você vende um item da Cesta Básica (imposto zero) mas o cadastra errado, pagará imposto cheio sem necessidade. Ou, pior, classificará algo como isento, não pagará, e será multado depois.

Dica: Revise o cadastro de cada item do seu estoque hoje.

4. Não se preparar para o "Split Payment"

Esta é a maior novidade tecnológica da Reforma e o maior pesadelo para o fluxo de caixa de quem não se planeja.

No modelo Split Payment (Pagamento Dividido), quando seu cliente passar o cartão ou fizer o PIX, o banco separa automaticamente a parte do imposto e envia para o governo. O dinheiro do imposto nem chega a cair na sua conta.

O Erro: Contar com o valor total da venda para pagar fornecedores ou salários, esquecendo que o imposto será retido na fonte instantaneamente.

Impacto: Se o seu capital de giro for curto, você pode quebrar por falta de liquidez, mesmo vendendo bem.

5. Esquecer a Recuperação de Créditos (O dinheiro na mesa)

Muitas empresas focam tanto em pagar menos impostos que esquecem de recuperar o que pagaram a mais.

No sistema de "Não-Cumulatividade" (típico do Lucro Real e agora fortalecido pela Reforma), quase tudo o que sua empresa compra para operar pode gerar crédito para abater impostos futuros. Energia elétrica, aluguel, insumos... Empresários que não organizam suas notas de entrada estão literalmente jogando dinheiro no lixo.

A nova regra amplia o direito a crédito, mas exige organização impecável.

O que fazer agora?

O planejamento tributário de 2025/2026 não é um documento estático, é uma estratégia viva. Não espere a virada do ano para agir.

  • Auditoria de Cadastro: Revise os NCMs dos seus produtos.
  • Simulação de Cenários: Peça ao seu contador uma comparação: Simples x Lucro Presumido x Lucro Real considerando as novas regras de crédito da Reforma.
  • Tecnologia: Verifique se seu sistema de gestão está pronto para o Split Payment e para as novas notas fiscais.

Sua empresa está preparada para a transição ou vai pagar a conta da desorganização? A equipe tributária do nosso escritório está realizando diagnósticos completos para blindar negócios durante a Reforma. Agende uma conversa.

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